Decantando olhares

 

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Observo o mundo.
Retiro dele tudo que minhas retinas sugam.
Percebo as pessoas, o alongar-se de um gato,
a folha da árvore que balança movida por uma força invisível.
O mundo, esta visão que meus olhos captam,
é feito de gestos, cores, brilhos e breus.

Com o poema canto uma canção que apenas meus olhos ouviram e ouvirão.
Canção impossível de traduzir, por palavras, o que ouço-vejo.

(Meu pensamento vaga nesta canção de imagens…)

Tomo a eterna breve consciência  de que meus olhos escolhem o que ver.
E o que surge em mim é o sentimento desta incapacidade humana,
esta limitação, este poder do pouco, este estar sempre longe do todo.
Meus olhos retiram partes do pó, partes do brilho,
partes da beleza do gesto da moça que passa…

E, bêbado de canções e escolhas, noto apenas o brilho no olhar da moça,
que não sei distinguir se é felicidade ou do sol de uma tarde sem fim…

MARCOS SILVA

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5 comentários em “Decantando olhares”

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