Um poema

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Ela me pediu um poema.
“Pra quê”, respondi, “você já é meu verso.”
E, depois, me dei conta que mentia.

Afinal, ela me deu olhos de estradas longas e sinuosas;
deu-me curvas sobre a pele e o suor que brota desta;
abriu-me o dia com um toque, embebedou-me como faz o álcool;
Ela tornou-se o sopro e a brasa e o fogo.

Pensei, então, em dizer que ela era a própria poesia,
não precisava ser escrita, só sentida, conhecida,
enfeitando a alma e os dias.

Mas ela sorriu…

E toda poesia se calou quando o universo, de novo, se abriu.

 

MARCOS SILVA

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2 comentários em “Um poema”

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