SEGUNDA

segunda 2

Abraçou-a. Acordava de um sono breve e, instintivamente, já realizava tais movimentos: aproximava-se dela, roçava os lábios nos cabelos dourados e a abraçava com um dos braços, apertando-a firme.

Ela não dormia e estava atenta aos movimentos dele.

Nesta manhã, ausentes há séculos um do outro, ele a apertou forte, sentindo o calor de sua pele nua. O braço que a enlaçava, tocava os seios nus, belos e fartos, e seus corpos nus eram uma mistura de cores e sonhos que se encaixavam.

Deitados, ele sentia as costas nuas dela apertando-se contra seu peito. Suspirou. Aproximou a boca do pescoço dela e soprou suave por entre finos fios. Afastou os cabelos dela e mordiscou a pele oculta. Ela juntou os ombros, contorcendo-se.

Enquanto ambos viviam um silêncio profundo, mantinham uma dança lenta. Seus dedos, depois de caminharem sobre os bicos dos seios dela, desceram pelo ventre liso da moça, sentindo a pele morna. Após este trajeto, que por si só já o embriagava, seus dedos roçaram sua vagina quente e úmida como um beijo.

Talvez os sonhos que se realizavam, talvez outros rostos nesses sonhos, talvez ele mesmo presente nesses sonhos: o que importava é que ela delatava uma umidade que o fez tremer e eriçar-se ao senti-la.

Continuaram mudos. Ele dançava os dedos em volta da vagina úmida e depois, com um único dedo, sentia o calor e a umidade de seu interior, molhando todo o dedo e depois retirando-o para retornar a roçá-la com as mãos. Em alguns momentos sugava o sumo em seu dedo, tentando saciar uma vontade sem fim.

Excitado, sentia a bunda dela se mover, suave, pressionando-o. Sentiu o pênis duro e pulsante  roçando-a, esfregando-se entre o vão de sua bunda.

Apertou-a ainda mais firme contra si.

Mordiscou-lhe a orelha. Sua vontade era essa: devorá-la a cada instante, fazer cumprir seu papel humano de ser preenchido por ela e de preenchê-la.

Ela jogou o tronco um pouco a frente, curvando-se e fazendo sua bunda torna-se ainda maior. Arreganhando-se, deixou-se penetrar de uma vez, sem delongas, sem demoras. Com todo o membro dele dentro de si, aquietou-se, apenas sentindo-o, estático, eternizando o momento.

Depois desta pausa, ele o retirou. E tornou a enfiá-lo, repetindo os mesmos gestos, um refrão que queria eterno: a sensação de tocá-la em seu amor, seu desejo, suas carnes nuas, e depois adentrar seu corpo, sentindo a intimidade e a umidade dos corpos e almas que se reencontravam, novamente unidos.

Acelerando os movimentos, ouvia apenas a respiração dela entrecortada por um gemido baixo, quase mudo. Apertando os lábios contra a orelha dela, disse baixo: “gostosa”. Ela empurrou a bunda contra ele, apertando-o ainda mais e, rebolando, o fez gozar, num tremor.

Depois do gozo, ficaram assim, grudados os corpos nus em gozo úmido, sem que ele saísse dela, pulsando seu desejo dentro dela. Abraçados num gesto que a eternidade reveria, mas que já  tinha um gosto de saudade e de lembrança, já que era quase hora de se despedirem.

O tesão e o amor, entretanto, podem ter hora pra se despedir. Mas não é certo que tenham tempo para terminar e que não possam se reencontrar…

MARCOS SILVA

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