RASTROS

rastros

Meus demônios me carregam por caminhos já traçados:

Estive aqui centenas de outras vezes.
Vejo minha própria pele marcando o chão
onde minhas costas já passaram…

Conheço esse caminho: mesmos espinhos, mesmo temor…
Meu peito (que antes diria aflito, agora o sei cansado…)
Pulsa o mesmo pulsar de antes e essa ânsia,
Que até na calmaria me acompanha, é um doer, por dentro, sem fim…

De escuridão e sombra, agora e antes, diabos rugem e riem.
Escravos de outro, escravizam seu tempo a se repetir.
Esperam minha dor, mesmo já a tendo visto, como coisa boa que é…
Sabem de si as brincadeiras atrozes que brincam entre minha carne

Penso no céu e vejo o inferno!
Nesse momento seria o melhor amigo do pior dos caídos!
Carrasco da carne humana ou inumana de outro.
É dor o que sinto, de novo, e dor que nunca soube explicar…

Cabelos, unhas, fragmentos de ossos, fiapos de pele…
Sexo retorcido e abandonado e não sei de que gênero sou…
Meus olhos são murchos e atônitos como os de peixes mortos há dias…
Rabisco com meu sangue o caminho de muitos.

E acordo…

Sinto o vento quente, abro os olhos
E meus demônios me carregam por caminhos já traçados…

 

MARCOS SILVA

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