VIVER

caminhar sonho

No sonho, a realidade é tênue como uma teia de aranha.
Os passos seguem caminhos escuros e não fazem barulho.
O horizonte inexiste.
Escuridão e luz se mesclam, indivisíveis, inseparáveis.
A distância é fugaz: em um passo, um rio; noutro, uma casa de cem anos atrás.
Ela, que nos dias chamados de “vida”, é ausente, no sonho é presença constante.
Crianças, memórias, lugares.
Mortos e vivos a conversam no bar da esquina de uma cidade que não existe mais.
Nesta outra existência, a imensidão é tocada pelas dedos.
A morte, que outro já chamou também de sonho, dá seu breve beijo nos dias.
E, como a morte que desconhecemos, esta realidade se perde como o brilho da vida e resta apenas a reminiscência de outras possibilidades.

Assim também será quando, acordando desta vida, percebermos que sonhávamos.

 

MARCOS SILVA

 

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