ERA

skull roses

Em meu pesadelo, os mortos não tinham voz.
Os animais, todos mortos, também não tinham voz.
Embrenhavam-se entre os vivos e com eles partilhavam sua inexistência.

E não tinham voz.

O descanso, que deveria ser eterno, era um tormento de mensagens fadadas a não chegar ao destino.
A inexistência do alento; a esperança, fruta morta.

Os mortos, não tendo voz, seguiam seu caminho de incompreensão.
E os vivos, em suas palavras vazias, seguiam seu destino de desatino e desencanto.

 

MARCOS SILVA

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2 comentários em “ERA”

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