DIAS

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Trinta anos e o corpo dela atingiu a perfeição e a beleza do corpo de mulher: curvas generosas; a pele lisa, num tom entre o dourado e o bronze; caminha como se ouvisse música, sua roupas dançando, lentas e breves, sobre quadris bem definidos e sobre seios arredondados e simétricos. Há um misto corporal de beleza, atração e anatomia, mas o olhar atento  dele se aprofunda nos contrastes: o sorriso branco e os cabelos negros.

O sorriso reluzente traz brilho até mesmo às palavras que brotam de seus lábios escuros. Os dentes brancos, evidenciados entre os cabelos extremamente negros, lembram o brilho da lua cheia nas noites sem cidades. A noite destes cabelos negros são a escuridão da primeira noite do homem, em tempos imemoriais, abraçado ao temor e ao fascínio dos sonhos.

Neste instante, não há lua, nem sonhos. O que há são os dois, dentro de um carro, conversando com suavidade e precisão, em quase sussurros, quase mímica. Ele segura a mão dela e o sol aquece seus dedos. Os cabelos negros dela, como uma pantera negra, deslizam sobre seus ombros nus.

O suor brota pelos poros e as mãos úmidas desejam o frescor do mergulho. Os dedos dele esquiam em breveza e suavidade sob a pele e depois embrenham-se por entre os longos fios negros. Seus corações  são trovões que se procuram. Após surfar entre os fios, a mão dele pressiona a nuca dela, e seus dedos mergulham no suor que escorre por seu pescoço. A pressão exercida é suficiente pra ser chamada de delicada e forte.

Puxa-a para perto. Os rostos próximos, as bocas a milímetros uma da outra, os hálitos mesclam-se. Pausa. Olhos se encaram e eles se veem, num espelho, no olho do outro. Não há dúvidas.

Beijam-se.

As salivas, as línguas e o sol se misturam numa dança que é o prefácio de dois corpos que se buscam. O primeiro capítulo é a pintura do corpo dela, nu sob luzes artificiais, a ser admirado pelos olhos negros dele. No ar, tensão e tesão. Duas pessoas se reconhecendo pela primeira vez ao assumirem sua nudez para o outro; cada corpo, no ato amoroso, se tornando um planeta a ser desbravado e compreendido. Rotas a serem descobertas, vales a serem inundados, perigos e quedas, fome e sede e, por fim, oásis e gozo. A pele nua: um mapa aberto para o outro.

Deitada, todos os detalhes de seu corpo se mostram à um teto de espelhos que os duplicam e a este amor. A beleza do corpo, antes oculta pela roupas, mostra agora aréolas que são como setas indicando o céu, o sonho, a ascensão. Movendo as coxas firmes ela tenta ocultar os lábios escarlates que são parcialmente vistos, logo abaixo de um púbis de pelos escuros que brotam como um jardim sobre a pele parda.

Ele está em pé. Atento, decorando detalhes inéditos. Ao abaixar-se, apalpa a planta do pé direito dela que, surpresa, puxa para si a perna. Depois, confiando, sente a mão dele deslizando para cima e deixa sua perna deslizar como uma duna que se desmancha, indo ao encontro dele. Sente a pressão de mãos fortes pressionando cada curva de sua perna, os vãos atrás do joelho, as partes de trás da coxa. Ele ergue a perna dela, aproximando-a de seu rosto, e desliza a boca sobre a pele. Sorve todo o perfume da pele dela e encara, nítido, o sexo dela.

Em movimentos lentos e constantes, ele desenha com a língua um rastro por todo o interior das pernas dela, até mergulhar entre as coxas. Seus lábios buscam o interior das coxas, o recôndito úmido antes oculto, e começando com um beijo suave, logo é um banquete guloso que se segue. O toque de língua é feito com o zelo de quem descobre e memoriza. Ela se contorce com força, apertando a cabeça dele entre as coxas, obrigando-o a segurar a respiração. Com a unhas ela lhe risca a nuca.

Depois do tremor, o corpo dela se aquieta. E ele, respirando, passa a marcá-la com beijos e sopros suaves a partir do púbis, subindo pelo ventre. Nos seios, para. Encara os bicos morenos. Acaricia-os. Beija. Mordisca. Então, pescoço, nuca, orelha, boca. Beija-a com força. Sobre ela, encara seu olhar.

Ela segura a respiração, imaginando a penetração que virá em breve. Ele, porém, a segura firme e a coloca de costas. Se deixando levar, sente a boca dele seguir seu caminho por suas costas. Chegando ao cóccix, ele desliza a língua por entre a divisa de suas nádegas. Suas mãos apalpam a bunda firme e ele observa os cabelos negros dela jogados de lado.

A bunda dela se movimenta no ritmo da respiração, num sobe e desce suave. Ela ergue um pouco mais a bunda e a língua dele desliza e molha de saliva morna o cu. Ela arqueia-se. Ele torna a molhar o orifício, que se contrai. Mantendo nesta posição el enfia a língua dentro da buceta dela, que abre-se como flor. Ele tem sede. Erguendo os quadris dela, força com a mão as costas dela, mantendo os seios apertados contra a cama.

Nesta posição, penetra-a com calma, sentido cada milímetro do interior dela, rompendo caminhos, realizando sonhos. Depois de completo dentro dela, ele pausa em seu interior por alguns para sair lentamente e tornar a entrar, como se desejasse reconstruir este primeiro contato pela eternidade. Os movimentos são como uma dança de fogo e de almas. Forçam-se um contra o outro, em movimentos cada vez mais fortes.

São apenas um, agora. O gozo, esta busca, é o encontro com a essência de cada um consigo mesmo e com a importância do outro. O sexo, parte do caminho.

Então ela se liberta, o empurra para a cama, deitando-o. Encara seus olhos negros e, sentando-se sobre ele, seus cabelos caído em seu peito, se movimenta com a força de um desejo que não se limita ao gozo: é uma busca pela própria essência. O suor dos corpos desliza sobre a pele e o cheiro de suor e sexo é um perfume que aumenta o desejo.

No fim, deitados um de frente para o outro, se encaram. A liberdade dos corpos que se conectaram os levou à um voo sem limites. Deu a eles, de novo, o gosto pela vida.

Ele encontrou, nela, a alma. Ela encontrou, nele, as asas.

O voo salvaria a ambos…

MARCOS SILVA

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