ESQUINAS

esquinas.jpeg

 

Nas esquinas, atravesso sem olhar para os lados.
Sigo meus passos e não sei se sou um cego ou se apenas não enxergo o mundo em volta.
No meio do cruzamento, um pensamento perfura minhas entranhas:“Onde estou?”
Só tenho respostas tolas:
Sou uma criança que voa com a borboleta que atravessa o cruzamento quando o sinal verde se acende.
Tenho as raízes da flor branca que brota entre o asfalto.
Aspiro os gases que brotam do fluxo de carros, das entranhas das pessoas.
E sinto que meu corpo não possui um dono.
É somente uma pintura feita por tudo, por todos.
Às vezes, ouço salmos cantados por um mendigo que se lembra o que é cantar.
E espero como espera a pessoa que espera o ônibus que demora a passar e a impede de se encontrar logo nos braços dos únicos destinos possíveis: o amor ou a morte.
Ouço a buzina de um carro e não desperto.

Nunca, nunca, nunca desperto…

O motorista (que não sei se é humano…) dirige um carro que não sei se existe.
A buzina não é um chamado, não é um aviso.
Talvez seja um pedido de ajuda, um grito de solidão que não possui eco ou esperança.
Um pedido de uma inexistência que persiste, mas que ainda assim é um sonho…

Atravesso o cruzamento.
E nunca sei qual é a pele que me recobre neste momento…

 

MARCOS SILVA

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s