MANCHA

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Tentava rabiscar um poema, mas o café amargo que bebia, caiu sobre o papel.
Enxerguei no incidente a pele branca e nua recoberta da tempestade a se aproximar.
Esperei a folha secar, enquanto busquei outro café, e retornando a olhar, já não vi a chuva: vi a poeira da estrada em agosto; a pele de um cachorro sujo.

A vida com a luz do quarto apagada.

Pendurei o quadro pintado pelo acaso na porta branca da geladeira e novo quadro se fez:
O infinito branco do metal manchou-se com o novo enfeite.
E desta nova mancha surgiu-me a íris de seu olhar.
Descobri, nestas pequenas coisas de uma manhã de ócio, que tua presença ocupa todos os objetos, todos os cantos, todas as atitudes, engolindo os móveis, a casa, o mundo.

E o dia tornou-se penumbra e esperança…

 

MARCOS SILVA

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4 comentários em “MANCHA”

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