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É preciso ser como a luz: mostrar novos caminhos e cegar.
O som: acalmar e ensurdecer; ninar e tornar insone.
É preciso ser como o toque: suavizar, ferir, sangrar, seduzir.
Imitar a fé: criar esperanças, arrancar olhos, corromper.
É necessário ser a água: afogar e saciar.
O fogo: queimar o mundo e a pele; salvar o mundo e a carne.
Ser vida e ser morte.

É preciso ser assim duplo, dúbio, para ser único.
É preciso ser dor para se tornar amor.
Só assim se sente.
Só assim o poema, que é a vida, faz sentido.

MARCOS SILVA

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