SONS E VULTOS

sons e vultos

Sob a úmida terra, os mortos – como os vivos – dormem seu eterno pesadelo.
Nesta escuridão, os olhos perdem-se nas sombras do passado.
São pessoas ou monstros que passam sob os postes, nesta madrugada?
São delírios ou verdades? Sonhos ou realidade? Observo…

Numa esquina qualquer, homens se procuram.
Caminham de mãos dadas com prostitutas
ou temem o mal que criaram, evitando as ruas escuras.
Outros veem tv, bebem cerveja, chamam os filhos de animais.

Na língua das mulheres, tédio e reclamações, o dia, o dia.
O sêmen ainda é quente ao escorrer entre pernas arrependidas.
A maquiagem, o olho roxo, o jantar, as crianças.
Sem mudanças, sem vontade. Sem saída?

Observo. E sinto uma explosão de sentimentos, de frustrações.
O coração é inchaço, é excesso, é pulso e parto.
Com minhas mãos ásperas aperto seios nus e flácidos.
E, na dor e na fraqueza do gozo, a vida se esvai, fraca e breve, num jato.

 

MARCOS SILVA

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3 comentários em “SONS E VULTOS”

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